“Cerca de 60% das mulheres que vão ao consultório médico possuem mioma uterino”
O mioma é uma enfermidade muito comum que não oferece riscos à saúde, mas que assusta a maioria das mulheres assim que detectado. Consiste em um tumor benigno com origem no tecido muscular liso do útero. As chances de um mioma tornar-se câncer são extremamente baixa, cerca de 0,5%. Atinge mulheres no período fértil, principalmente a partir dos 30 anos e segundo a ginecologista Emanuelli Alvarenga da Silva, do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André, entre as negras, o risco de desenvolvê-lo é de três a cinco vezes maior do que entre as de raça branca.
O mioma surge a partir de uma célula que se multiplica de forma desordenada, resultando em um tecido que crescerá de forma anormal. Possui várias camadas e pode se formar na parte de dentro ou fora do útero.
Sua causa pode ser genética e estar ligada à ação do estrogênio – hormônio feminino. Os principais sintomas são as fortes cólicas durante a menstruação, aumento dos dias e do fluxo menstrual, dor durante as relações sexuais e sangramentos fora de época.
Segundo Emanuelli, o maior problema que um mioma pode ocasionar é se ele crescer muito, pois pode pressionar órgãos próximos gerando alguns incômodos. “Outra questão é que em razão do aumento do fluxo menstrual pode levar a paciente à anemia”, explica a ginecologista.
Também podem ocorrer dificuldades para engravidar, já que o mioma causa alterações que dificultam a fecundação, mas isso ocorre em apenas algumas mulheres.
“Cerca de 60% das mulheres que vão ao consultório médico apresentam mioma, que pode ocorrer a partir da puberdade. As mulheres que ainda não engravidaram e as que apresentam altos níveis de estrogênio no sangue, também possuem mais riscos de desenvolvê-lo”, explica.
O diagnóstico pode ser feito por meio do exame de toque, ultrassom ou histeroscopia.
Durante a gestação, o mioma pode gerar certas complicações, como a gravidez ectópica - quando a fecundação ocorre fora da cavidade uterina - abortamento, parto prematuro, sangramento e dificuldades durante o parto. Além de aumentar de tamanho em razão dos altos níveis hormonais.
O tratamento poderá ser medicamentoso à base de hormônios e anticoncepcionais para controlar o sangramento, evitar o crescimento dos miomas e reduzir o tamanho. Em último caso será recomendada a cirurgia, que será indicada quando o mioma for muito grande, com sinais de alterações no tecido e nos casos que levam à infertilidade.

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