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segunda-feira, 14 de março de 2011

O drama da novela é real? Mulheres com endometriose podem conceber?

Recentemente, o brasileiro tomou conhecimento “do drama” da personagem Carol Miranda, personagem de Camila Pitanga, na novela Insensato Coração, da Rede Globo, que assim que conhece seu “príncipe encantado”, o personagem André Gurgel, vivido por Lázaro Ramos, informou ao pretendente que não poderia ser mãe, pois sofre de endometriose. Mas, para alegria de todos os telespectadores, o que parecia ser “a sina da personagem”... Não será mais. Nos próximos capítulos, Carol descobre que está grávida e decide ter o bebê.

Prof. Dr. Joji Ueno
A questão retratada na novela pode esclarecer as dúvidas de muitas mulheres. Afinal, uma mulher com endometriose pode engravidar? “Pode. A relação entre a endometriose e a infertilidade feminina pode manifestar-se em alguns casos. Pacientes em estágio avançado da doença e com obstrução na tuba uterina que impeça o óvulo de chegar ao espermatozóide têm um fator anatômico que justifica a infertilidade. Além disso, algumas questões hormonais e imunológicas podem ser a causa para algumas mulheres com quadros mais leves de endometriose não conseguirem engravidar. Após o tratamento, geralmente após a realização da laparoscopia, uma boa parcela das mulheres consegue engravidar, principalmente pacientes em que as tubas não tiverem sofrido obstrução. É por isso que no final da laparoscopia, costuma-se injetar contraste pelo canal do colo uterino para ver se ele sai pelas tubas. A caracterização dessa permeabilidade tubária é um ponto a favor de uma gravidez que depende, entretanto, de outros fatores como a função ovariana ou a não formação de aderências, depois da cirurgia”, explica o Prof. Dr. Joji Ueno, ginecologista, diretor da Clínica GERA.

Novo estudo associa dieta ao aparecimento da endometriose

Uma nova pesquisa - A prospective study of dietary fat consumption and endometriosis risk - publicada no jornal Human Reproduction, sugere que as mulheres cujas dietas são ricas em alimentos que contenham óleos Ômega-3 podem ser menos propensas a desenvolver endometriose. Já aquelas cujas dietas são fortemente carregadas de gorduras trans são mais propensas a desenvolver a doença.

O estudo é o maior já feito para investigar a ligação entre a dieta e o risco de endometriose e o primeiro estudo prospectivo a identificar um fator de risco modificável para a doença.

Segundo Stacey Missmer, autora do estudo e pesquisadora da Harvard University, as mulheres que consumiam mais ácidos graxos Ômega-3 tiveram 0,78% menos chances de serem diagnosticadas com endometriose em comparação com aquelas que tiveram um menor consumo de Ômega-3. As que consumiam uma maior quantidade de gordura trans aumentaram em 1,44% o risco de desenvolver endometriose.

Segundo os pesquisadores americanos, mais importante do que saber a quantidade total de gorduras da sua dieta é essencial saber o tipo de gordura que é ingerida (trans x Ômega-3). E para isto, o estudo reuniu dados de cerca de 120.000 enfermeiras dos EUA, com idades entre 25-42 anos, que não tinham sido diagnosticadas (nem clinicamente, nem cirurgicamente) como portadoras de endometriose, no início do estudo.