domingo, 13 de março de 2011

Cerca de 50% dos pacientes que apresentam exames normais podem ter doença coronariana

Especialistas recomendam o uso do escore de cálcio para detecção de aterosclerose em pacientes de risco intermediário e sem sintomas
Com os avanços da Medicina diagnóstica nas últimas décadas, hoje é possível estimar o risco de doença cardíaca de uma pessoa, dividindo em baixo, intermediário e alto para morte ou infarto do miocárdio. O risco pode ser quantificado por avaliação clínica, exames laboratoriais e métodos gráficos e de imagens como cintilografias e teste ergométrico. Apesar desse avanço, no artigo “Avaliação de Aterosclerose Coronária por Imagem Cardíaca - Valor Complementar do Escore de Cálcio à Perfusão Miocárdica”, aceito para publicação na Revista da Sociedade Brasileira de Cardiologia, os cardiologistas Dr. João Vítola, Dr. Rodrigo Cerci e Dr. Marcelo Zaparolli, da Quanta Diagnóstico Nuclear, fazem o alerta de que mesmo que o risco estimado seja baixo, até 50% dos pacientes com cintilografia normal podem ter aterosclerose coronária em fase inicial ou obstrução das artérias pelo acúmulo de gordura, nem que seja em quantidade discreta ou moderada. “Esta informação pode nos ajudar a ser mais agressivo no controle dos fatores de risco, com grande potencial de diminuir a progressão da doença e reduzir a chance de morte e infarto a médio e longo prazo”, aponta Dr. João Vítola, diretor da Quanta Diagnóstico Nuclear.

No artigo, os especialistas recomendam o uso do escore de cálcio para detecção pré-clínica de ateroclerose em pacientes de risco intermediário e sem sintomas. O cardiologista Marcelo Zaparolli explica que exames como o teste de esforço e cintilografia são métodos que detectam a doença coronariana em fase mais avançada, quando as obstruções ultrapassam 70%. “Entretanto, a maioria dos infartos ocorre em decorrência de lesões menores, que geralmente não são detectadas por esses exames, que procuram obstrução do fluxo de sangue. Se o paciente não apresenta outro sintoma de alerta para um risco maior, ele acaba recebendo um tratamento de prevenção inferior ao necessário”, revela.

O escore de cálcio é uma investigação adicional, que quantifica a dimensão com que a aterosclerose está comprometendo as artérias coronárias, indicado para os pacientes que não possuem sintomas, mas apresentam fatores de risco significativos como diabetes, tabagismo, colesterol alto e histórico familiar. “Nesses casos, quanto maior o escore de cálcio, maior o risco de infarto ou morte, principalmente após três a cinco anos da realização do exame”, salienta Dr. João Vítola. “Ao detectar a doença em sua fase assintomática (sem sintomas), o paciente ainda pode fazer tratamento com medicações, dieta, exercícios e perda de peso de forma mais agressiva, e possivelmente evitar problemas futuros”, observa Dr. Marcelo Zaparolli.

Principal causa de morte
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, as doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte no mundo, cerca de 17 milhões de pessoas por ano. Os médicos ressaltam que a prevenção é essencial, pois os sintomas são tardios e a pessoa frequentemente só descobre algum problema quando apresenta angina ou infarto do miocárdio. “Refinar a avaliação de risco individual e proporcionar a maior quantidade possível de informação ao médico e ao paciente deve ser um compromisso do médico. O uso integrado e racional das diversas ferramentas diagnósticas é a melhor maneira de prevenção”, afirma Dr. João Vítola.

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